O bom de “ser um eterno
aprendiz”!
por Vera Peixoto
Então, lembro que, nos
primeiros tempos na “escola de pintura”, eu escolhia os pincéis mais finos,
misturava pouquíssimas cores, as pinceladas eram tão sutis, quase
invisíveis... Não desejava que minha
tela chamasse atenção de ninguém... Isso foi bom para mim por anos...
Depois, nem lembro o porquê,
aquele meu modo de pintar não mais me satisfazia. Ousei sair da zona de
conforto, fui devagarzinho atrás dos materiais menos acessíveis, as cores foram
ficando fortes, as pinceladas, mais expressivas! As cores pastéis já não eram sempre as minhas
preferidas...
Estava feliz e é essa a
nossa missão na “escola”, não é? Errava, borrava, experimentava, repintava,
refazia e seguia em frente. A produção quase febril. Trabalhava muito na minha tela, quase nem
parava...
De repente, me descubro
fazendo muitos borrões, as cores estão excessivas, as pinceladas,
grosseiras... Epa! Não há vista cansada
que justifique... Tempo de parar para meditar, refletir e corrigir, não desejo
borrões permanentes! Reaprender a suavizar a pincelada e a correta mistura das tintas.
Não dá para voltar à sutileza dos primeiros tempos. Sei que não conseguiria por
mais que tentasse, embora sejam tentadoras as lembranças daquela quase
invisibilidade dos primeiros traços...
Meu estilo de pintar foi-se
alterando e é irreversível. Os borrões, no entanto, é que devem dar lugar ao
que desejo realmente na minha tela! A grande e maravilhosa oportunidade desta
“escola” é que somos eternos aprendizes!