A Escola
de Pintura
Por Roberto Lopes
Outro
dia um amigo me perguntou o que eu acho que é a vida.
Resposta
difícil, não é?
Vou
contar como respondi.
Imagine
uma escola de pintura. Ao entrar, você recebe uma tela em branco e encontra
vários alunos pintando. Muitos estão trabalhando há anos, e os quadros são de
todos os tipos, desde obras maravilhosas até telas completamente destruídas. As
tintas, os pincéis e os materiais de pintura estão espalhados pela sala, alguns
bem acessíveis, outros em locais difíceis. Apesar de ser uma escola, não há
professores. É tudo por sua conta.
O
que você faria nessa situação? Pegaria qualquer pincel e simplesmente
espalharia tintas em sua tela? Observaria os que estão trabalhando e tentaria
imitar alguém talentoso? Juntaria sua tela à de outras pessoas e pintaria um
grande painel em equipe? Tentaria criar uma obra original e aprender com seus
próprios erros? Utilizaria apenas os materiais mais acessíveis ou batalharia
para conseguir também os mais difíceis?
Volto
a perguntar, o que você faria?
Na
minha opinião, a vida é como esta escola de pintura. As pinceladas são as
nossas ações.
Às vezes, damos pinceladas de mestre. Usamos o
tipo certo de pincel, a mistura correta das cores e movimentos precisos. São as
nossas boas ações. Aquelas que nos fazem dormir tranqüilos e com um sorriso nos
lábios.
Outras
vezes, borramos todo o nosso quadro e pensamos: “Argh! Estraguei tudo. Não tem
mais jeito.” Desejamos até jogar a tela fora e parar tudo. Vamos dormir
arrasados e querendo morrer.
É
nesta hora que precisamos lembrar da escola de pintura. Não se desespere. Por
mais borrado que seu quadro esteja, você sempre pode pegar um pincel limpo, as
tintas certas e pintar por cima.
Se
você disse algo ruim para alguém, peça perdão. Se fez algo que não deveria,
volte lá e conserte. Se deixou passar uma oportunidade de elogiar, procure a
pessoa ou pegue o telefone e faça o elogio. Se teve vontade de acariciar alguém
e não o fez, faça-o na próxima vez que encontrá-lo (a) e diga-lhe apenas que
está acertando seu quadro – tenho certeza de que você será compreendido.
A
única coisa que você não deve fazer é deixar os borrões aparecendo. Não
interessa quão antigos eles sejam. Se estiverem lá, corrija-os. É corrigindo
que aprendemos a não cometê-los e nos tornamos artistas cada vez melhores.
Fazendo
assim, não importa se teremos mais duzentos anos ou apenas mais um dia para
nossa pintura. Quando formos chamados para expô-la, ela estará perfeita.
Talento, tenho certeza, todos nós temos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário